A aberração da venda da Eletrobras.
TER, 22/08/2017 - 16:38
Luis Nassif
O anúncio de venda da Eletrobras para fazer caixa é
uma das iniciativas mais aberrantes do governo Temer. A ideia da
“democratização do capital” e a comparação com a Vale e a Embraer é esdrúxula.
Ambas estão na economia competitiva enquanto a Eletrobrás é uma concessionária
de serviços públicos, estratégica para o país.
A avaliação de R$ 20 bilhões equivale a menos da
metade de uma usina como Belo Monte. A Eletrobrás tem 47 usinas hidroelétricas,
114 térmicas e 69 eólicas, com capacidade de 47.000 MW, o que a faz
provavelmente a maior geradora de energia elétrica do planeta. É uma empresa
tão estratégica quanto a Petrobras.
A Eletrobras está sendo contruída desde 1953 e exigiu
investimentos calculados em R$ 400 bilhões do povo brasileiro. Além da
capacidade geradora, que equivale a meia Itaiupu, a Eletrobras controla linhas
de transmissão, seis distribuidoras e a Eletronuclear, empresa estratégica que
detém as únicas usinas nucleares brasileiras.
O modelo elétrico brasileiro é uma obra de engenharia
fanrtástica, resultado do pensamento estratégico de especialistas como Octávio
Marcondes Ferraz, Mário Thibau, Mário Bhering, um conjunto de técnicos da Cemig
– que também corre risco idêntico.
No governo Fernando Henrique Cardoso, o desmonte
irresponsável desse modelo promoveu um encarecimento brutal das tarifas, que
acabou tiraqndo a competitividade brasileira em vários setores eletro
intensivos. Lá, como ágora, moviam-se exclusivamente por visão ideológica, sem
um pingo de preocupação com a lógica de um sistema integrado.
O comprador com toda probabilidade será um grupo chinês
que por 20 bilhões de reais assumirá o provavelmente maior parque de geração
hidroelétrica do planeta. É realmente inacreditável o nível de improvisação,
cegueira estratégica, leviandade suspeita atrás desse tipo de decisão de
quebra-galho financeiro.
Nos EUA, o parque hidroelétrico, que corresponde a 15%
da matriz energética , é estatal federal, porque lá se acredita que energia
elétrica, que envolve recursos hídricos são de interesse nacional e não podem
ser privados. Lá há muito cuidado com água, rios e represas e nunca se pensou
em privatizar.
A ideia de privatizar estava obvia quando a rainha das
privatizações da Era FHC Elena Landau foi colocada como presidente do
Conselho da empresa. Há um mês pediu demissão para não ficar evidente demais
sua presença com o anúncio da privatização, ligando a lembranças de sua atuação
no governo tucano.
Para completar o pesadelo, o Ministro de Minas e
Energia é um rapaz de 33 anos, formado em administração de empresas pela FAAP,
sem qualquer especialização na área e representando o histórico PARTIDO
SOCIALISTA BRASILEIRO, de ilustres nomes como João Mangabeira, que deve estar
se revirando na tumba com tal iniciativa por um "socialista"
pernambucano. tal iniciativa por um "socialista" pernambucano.